Antigos inimigos

Категорія: SOS Ukrania pt
Створено: 26 червня 2026 Дата публікації Перегляди: 109

A reconciliação começa quando antigos inimigos encontram coragem para dialogar. Esta fotografia de 1996 recorda-nos que a compreensão mútua é possível, mesmo depois dos conflitos mais dolorosos da história.

Antigos inimigos.
Na fotografia, um encontro entre Vasyl Kuk, último Comandante-Chefe do Exército Insurgente Ucraniano (UPA), e Andrzej Żupański, responsável pelo distrito da Volínia da União Mundial dos Veteranos da Armia Krajowa (Lutsk, 1996). Antigos adversários que encontraram a capacidade de se reunir, dialogar e ouvir-se mutuamente.
De uma conversa de Vasyl Kuk com Izabella Chruślińska e Piotr Tyma, realizada em 2001:
— À luz da realidade atual, como avalia o conflito entre ucranianos e polacos? Considera que esse conflito, que mobilizou forças significativas de ambos os lados, teve impacto no desfecho da luta pela independência da Ucrânia?
— Tínhamos consciência de que a Polónia acabaria por cair sob a influência da União Soviética. Os nossos autores alertavam para esse perigo. Entendíamos que o objetivo do regime soviético era transformar a Polónia numa nova república subordinada a Moscovo. Por isso, procurámos criar uma frente comum com os polacos contra o bolchevismo. Contudo, os nossos esforços de propaganda, os apelos e as tentativas de negociação não produziram resultados positivos.
A direção da UPA acreditava na possibilidade de uma luta conjunta, mas não estava disposta a abdicar do projeto de construção de um Estado ucraniano independente nas terras historicamente ucranianas. Por sua vez, os polacos também não estavam dispostos a renunciar às suas reivindicações territoriais, e as propostas apresentadas por eles eram inaceitáveis para nós.
Após a guerra, foi o poder soviético que mais interesse demonstrou na deportação da população ucraniana. As autoridades polacas colaboraram ativamente nesse processo, o que levou às deslocações forçadas para a URSS e à Operação «Vístula». Considero que o Estado polaco deveria ter a coragem de reconhecer as injustiças cometidas, condenar essas ações e prestar apoio às pessoas deportadas que desejem regressar às suas terras de origem.
— A história europeia conhece vários exemplos de antigos inimigos que conseguiram reconciliar-se. Foi convidado a participar no seminário “Polónia–Ucrânia: Questões Difíceis”, realizado em Lutsk, onde a sua presença provocou protestos por parte de veteranos da Armia Krajowa. Como vê a possibilidade de diálogo entre pessoas que, durante a guerra, combateram umas contra as outras?
— Nas minhas intervenções e conversas informais procurei apresentar os nossos argumentos e explicar as causas do conflito. Fiquei com a impressão de que muitos participantes polacos estavam convencidos de que apenas os polacos tinham sofrido durante a guerra e de que apenas eles tinham sido vítimas da violência. Não queriam admitir que, em muitos casos, os próprios polacos contribuíram para o desenvolvimento e agravamento do conflito.
Procurei salientar que, independentemente dos acontecimentos do passado, estamos perante uma questão mais importante: como construir o futuro?
Estou convencido de que existe muita verdade na ideia de que não pode haver uma Polónia forte sem uma Ucrânia livre. Ao longo da história, as rivalidades entre os nossos povos e Estados foram aproveitadas por impérios vizinhos, nomeadamente pela Rússia e pela Alemanha.
Foi nesse espírito que procurei falar não apenas sobre o passado, mas também sobre as perspetivas futuras das relações entre polacos e ucranianos. Tive a sensação de que a minha posição foi compreendida por muitos dos presentes.
Apesar disso, o entendimento continua a ser difícil. Na Polónia continuam a surgir vozes que acusam os ucranianos de não quererem assumir a responsabilidade pelas vítimas e pelos acontecimentos ocorridos na Volínia e na Galícia.
Na minha opinião, persistem fortes sentimentos antiucranianos na sociedade polaca, frequentemente alimentados de forma deliberada. Recordo, por exemplo, a destruição de placas memoriais em Przemyśl, na antiga catedral greco-católica, onde o tridente — símbolo histórico da Ucrânia — foi colocado ao lado de uma suástica, acompanhado de inscrições ofensivas.
Acredito que apenas uma parte dos historiadores polacos procura abordar as relações polaco-ucranianas com objetividade, mostrando toda a complexidade dos acontecimentos da época. Outros continuam a promover a imagem do «ucraniano fascista» ou «colaborador», atribuindo exclusivamente aos ucranianos a responsabilidade pelo conflito. Estas interpretações tendenciosas visam desacreditar o movimento nacional de libertação da Ucrânia.
Fonte: Izabella Chruślińska e Piotr Tyma, Muitas Faces da Ucrânia (Wiele twarzy Ukrainy), Lublin, 2005

Texto original de Volodymyr Viatrovych, em ucraniano:
https://www.facebook.com/share/p/182VP1rJHG/

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